Mostrando postagens com marcador Educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Educação. Mostrar todas as postagens

domingo, 27 de novembro de 2011

III EXCONTEC

3ª edição da Exposição de Conhecimentos e Tecnologias, onde trabalhos científicos são apresentados pelos alunos da escola Tarcísio Soares Palmeira.


Em 2010, a Escola Estadual Tarcísio Soares Palmeira realizou a 2ª edição de sua Feira de Ciências. Os trabalhos apresentados pelos alunos abordaram temas de grande importância, ligados à sustentabilidade, tecnologia, saúde pública e desenvolvimento social, todos com um alto nível de envolvimento com as necessidades da sociedade atual. Este ano o evento contou com algumas inovações metodológicas e foi renomeado para Exposição de Conhecimentos e Tecnologias (EXCONTEC).

Durante cerca de dois meses alunos e professores construíram a exposição dos temas que, assim como no ano anterior, trataram de assuntos com bastante relevância social. A preocupação com a metodologia científica poderia ser facilmente percebida, pois todas as apresentações possuíam elementos essenciais para um trabalho científico. Ao todo foram 97 trabalhos, distribuídos entre as turmas dos três turnos da escola, todas de ensino médio. Os dois dias de exposição foram abertos à comunidade, inclusive para visitação de escolas.















Como é natural, algumas exposições ganham bastante destaque, tanto pelo empenho dos alunos quanto pelo tema selecionado. Entre tantos, são bons exemplos as equipes que apresentaram os temas: Sono, A Inclusão dos Surdos nas Escolas, Esquistossomose, Os Efeitos da Música na Mente e no Corpo Humano, Etanol, A Fantástica Química dos Cheiros, Poluição Sonora, Ginástica Laboral, Maquiagem, Avanço da Tecnologia 3D, Compras Virtuais, Saúde Pública em São Miguel dos Campos e Primeiros Socorros. Veja detalhes de alguns trabalhos:






SONO: A agitação do modo de vida atual impõe uma rotina em que as pessoas acabam se descuidando quanto a necessidades básicas para sua saúde, a necessidade de dormir bem é uma delas. Aqui pudemos conhecer a importância do sono para manutenção da saúde do ser humano e as conseqüências que uma vida desleixada nesse sentido pode inferir no bem estar das pessoas.






ESQUISTOSSOMOSE: A equipe expôs um assunto de muita importância pra sociedade miguelense, destacando os cuidados necessários para evitar a doença conhecida popularmente como "Barriga DÁgua". As informações foram destacadas com bastante propriedade e muita organização.





AMNÉSIA: Mesmo com o dinamismo de nosso cotidiano é possível que não exercitemos o cérebro de modo a causar estímulos que evitem problemas com a memória. Apesar desses exercícios não representarem cura para doenças como o "Mal de Alzheimer", podem remediar o tempo de suas seqüelas e manter a mente em boa atividade quando sadia.




PRIMEIROS SOCORROS: Uma gama de informações foi apresentada por esse grupo, que tratou das medidas a serem adotadas em vários momentos onde a vida de uma pessoa pode depender de um conhecimento básico de primeiros socorros, e podem ser utilizadas por alguém mesmo que não seja um profissional da área da saúde. Os integrantes da equipe buscaram o auxílio de agentes do corpo de bombeiros para construir sua apresentação e fizeram algumas demonstrações de como proceder em caso de necessidade.

SAÚDE PÚBLICA EM SÃO MIGUEL DOS CAMPOS: Pela caracterização social essa equipe merece um enorme destaque entre as apresentações. Os alunos coletaram  dados estruturais, financeiros e estatísticos sobre o sistema de saúde do município, que não atende bem as necessidades da população. É o que se espera de um trabalho científico (principalmente de quem está se formando na escola pública), que haja um comprometimento com a realidade de sua comunidade, informando a população e estimulando a análise crítica acerca da realidade em que está inserida. A exemplo do ano anterior, quando apresentaram o tema "Água Tratada", as alunas Liriane Arinísio e Jéssica Ferreira (na foto: 3ª e 4ª, respectivamente, da esquerda para direita) novamente foram brilhantes, sem nenhum demérito aos demais integrantes da equipe.


Ainda que a comunidade escolar deseje algumas melhoras na execução de trabalhos dessa natureza, movida pela ânsia de uma constante evolução, é possível perceber que a escola progride muito nesse sentido, proporcionando à seus alunos um excelente exercício para sua formação. A III EXCONTEC envolveu todo o corpo docente da instituição e contou com a coordenação dos professores João Donato Sampaio Ferro (Química), Marília de Fátima Oliveira da Silva, Andréa Soares dos Santos e Henrique de Souza Azevedo (Biologia).


sábado, 22 de outubro de 2011

ENEM 2011

Em sua 14ª edição o ENEM bate mais um recorde de inscrições, com uma mobilização de mais de 5 milhões de candidatos disputando vagas em universidades ou buscando o certificado de conclusão do ensino médio.



Começa hoje a aplicação das provas do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), a 3ª num formato onda as universidades públicas de todo o país podem utilizar o resultado das provas como vestibular de seus processos de seleção. Depois de 1998, quando foi aplicado pela primeira vez, o exame passou por várias transformações, inclusive de objetivo. A cada edição o número de inscritos supera a anterior. Desta vez são 5 366 780 candidatos de 1 599 municípios do país. Esse número é o maior desde 1998. Desse total, 545 798 candidatos usarão o processo como supletivo com a intenção de obter o certificado de conclusão do ensino médio. Os demais buscam vagas em universidades do país, diretamente ou através do SISU (Sistema de Seleção Unificada) e do PROUNI (Programa Universidade Para Todos).


Certificação Para o Ensino Médio

É o terceiro ano em que o MEC (Ministério da Educação e Cultura) usa o ENEM também com a finalidade de supletivo. Com isso, 180 483 pessoas já obtiveram o certificado por intermédio dessa iniciativa. Em 2009, 35,2% dos 197 991 candidatos tiveram êxito, enquanto em 2010 foram 20,5% de sucesso entre os 539 216 inscritos. A exigência é que o candidato obtenha nota mínima de 400 pontos em cada uma das provas e 600 pontos na redação. O candidato pode aproveitar seu bom desempenho em uma ou mais provas do ENEM, pois se alcançar a pontuação mínima em algumas provas, precisará, na edição seguinte, realizar apenas as provas em que sua nota foi inferior a exigida. Este ano, um dos estados com maior destaque percentual de participantes com esse fim é o Rio Grande do Sul, com 70 526 estudantes (21,40% de seus inscritos), mais que o dobro da média nacional que é de aproximadamente 10%. O menor índice é o da Paraíba, com 123 000 pessoas (5,21% de seu total).


Seleção Para Universidades Alagoanas

Muitas universidades aderiram ao uso das notas do ENEM, integral ou parcialmente, em seus processos de seleção desde 2009 quando o exame foi reformulado. Esse número tem crescido significativamente de modo que este ano quase todas as instituições de ensino superior público do país se incluirão neste grupo. Assim como as universidades federais do Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro, a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) usará pela primeira vez a nota do exame como única forma de acesso aos seus 77 cursos de graduação, nos seus diversos campi (Campus A. C. Simões, Campus Arapiraca e Campus Sertão). As vagas serão disponibilizadas através do SISU e em fase única, de acordo com o previsto no edital 01/2011. Em 2009 e 2010 o ENEM foi usado pela UFAL como complemento. É muito provável que a Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) também o use em substituição ao seu vestibular em 2012.


Horário, Conteúdo e Correção das Provas

Os dois dias do exame serão compostos por quatro provas e uma redação: Ciências Humanas e Suas Tecnologias (com conhecimentos referentes à história, geografia, filosofia e sociologia) e de Ciências da Natureza e Suas Tecnologias (química, física e biologia), neste sábado, 22; e Matemática e Suas Tecnologias, Linguagens e Códigos e Suas Tecnologias (língua portuguesa, literatura e língua estrangeira) e Redação, no domingo, 23. A prova de língua estrangeira, uma das novidades desse ano, trata de inglês ou espanhol, de acordo com a opção que o candidato fez na inscrição. Em ambas as datas, os portões dos locais de prova se abrirão ao meio-dia, e fecharão uma hora depois. É necessário muita atenção, pois a referência para todos os estados do país é o horário de Brasília. Como Alagoas não usa o horário de verão, os horários de abertura e fechamento dos portões são, respectivamente, 11h e 12h. No primeiro dia são dadas 4 horas e 30 minutos para realização da prova, e 5 horas e 30 minutos no segundo dia. Cada uma das provas objetivas possui 45 questões de múltipla escolha. O candidato deverá ler e seguir rigorosamente as instruções contidas no Cartão de Inscrição e no edital do exame. O idioma da prova de língua estrangeira não pode ser modificado na hora da prova, o candidato deve corresponder à opção que assinalou quando fez sua inscrição marcando no Cartão-Resposta apenas a resposta do idioma selecionado.

No sistema de correção das questões objetivas do ENEM, são considerados três parâmetros: a discriminação (onde se diferencia a habilidade dos alunos), o grau de dificuldade e o acerto casual. Esse sistema é conhecido como TRI (Teoria de Resposta ao Item) e é usado pelo SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) desde 1995, medindo o desempenho de estudantes do ensino fundamental e médio. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), que organiza o ENEM, faz uso desse sistema desde 2009 e esclarece que o objetivo não deve ser acertar mais questões, mas manter um padrão de coerência entre as respostas dadas, diferente da Teoria Clássica dos Testes (TCT), onde soma mais pontos quem acertar mais perguntas. Com o TRI, cada questão tem uma pontuação distinta de acordo com o nível de dificuldade. Assim, alunos com a mesma quantidade de acertos podem ter notas diferentes.

Já a correção da redação é feita por dois corretores, onde um não sabe a nota dada pelo outro e a média aritmética das notas atribuídas define a nota final, numa escala de 0 a 1 000. Haverá necessidade de um terceiro corretor apreciar a redação do candidato caso haja uma diferença de 300 pontos entre as notas dadas pelos dois corretores iniciais. Esta última, dada pelo supervisor, substituirá as duas notas anteriores. Terá nota zero o candidato que não atender a proposta do tema, tiver estrutura textual diferente do tipo dissertativo-argumentativo, ou apresentar a folha de redação em branco ou com até 7 linhas de texto.


Divulgação do Resultado e Estrutura Organizacional do Exame

O INEP promete divulgar o gabarito das provas na terça-feira, dia 25 de outubro, a partir das 20h. Cada candidato poderá consultar seu resultado a partir do dia 4 de janeiro de 2012.

Os cartões de confirmação de inscrição foram entregues pelos Correios; a produção gráfica, manuseio e distribuição dos cadernos de provas foram acompanhados pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), e o armazenamento das provas foi feito num quartel do exército, na capital paulista. As questões foram selecionadas de um banco de itens produzido por professores de universidades e institutos federais, enquanto a organização da prova ficou sob a responsabilidade do consórcio Cespe/Cesgranrio. Ao todo foram investidos R$ 238,5 milhões para realização do ENEM 2011.


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Educação Alagoana em Greve

As constantes greves têm abalado ainda mais o frágil sistema educacional de Alagoas. Confira o histórico de greves que tem atingido a educação do estado nos últimos cinco anos.  


Greves na educação tem sido uma constante no estado de Alagoas, seja no nível básico ou superior. As queixas de funcionários e alunos são sempre as mesmas que porventura jamais são resolvidas pelo governo do estado ocasionando a necessidade de mais paralisações. Vejamos alguns desses momentos nos últimos 5 anos que resultaram em greves ou paralisações.

  • Em janeiro de 2007 os funcionários da rede estadual de ensino iniciaram uma greve que durou 70 dias, encerrada após uma proposta do governo do estado que consistia em pagar parceladamente a isonomia dos professores garantida por lei no ano anterior;

  • Uma greve por tempo indeterminado foi iniciada em outubro do mesmo ano pelos profissionais da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) que reivindicavam 40 horas para todos os professores, realização de concurso público, revisão do Plano de Cargos e Carreiras e melhores condições de trabalho;

  • No mês de junho do ano seguinte, a UNEAL foi atingida por outra greve, pois as promessas feitas pelo governador no final de 2007 em resolver os problemas da Universidade não foram cumpridas. Uma delas era o reajuste de 16,8% nos salários dos professores e a regularização dos mestres e doutores, onde cerca de cinco já tinham deixado a instituição. A UNEAL poderia deixar de ser Universidade devido ao número de profissionais com esses títulos em seu quadro de funcionários. Além das reivindicações citadas a categoria lutava novamente pela realização de concurso público. Cerca de duzentos funcionários contratados precisavam ser substituídos, todos trabalhavam na execução de serviços gerais. A realização dos trabalhos era precária visto que esses funcionários eram constantemente substituídos e não havia condições de capacitá-los. Assim, vários eram designados para funções que não sabiam desempenhar caracterizando, em alguns casos, o uso da instituição como cabide de emprego. No mês seguinte a Assembléia Legislativa do Estado de Alagoas aprovou os 16,8% de aumento e o governo estadual enviou o Plano de Cargo e Carreiras para o parlamento pondo fim a greve;

  • Em junho de 2008 os professores das escolas estaduais também entraram em greve, e assim permaneceram por quase 60 dias até que foi apresentado ao sindicato dos profissionais grevistas uma proposta de reajuste salarial e enquadramento dos servidores. Também foi anunciada a criação do Pacto da Educação, um documento que será assinado pelo Governo do Estado, SINTEAL, Legislativo, Ministério Público, Ministério da Educação, Igreja e demais instituições, a fim de construir uma nova realidade para a educação no Estado de Alagoas;

  • Ainda no fim de 2008 mais uma greve foi realizada na UNEAL, tendo fim no início de 2009;

  • Em julho de 2009 os professores da rede pública de ensino decretaram uma greve de quinze dias, solicitando um aumento de 15% em seus salários, condições reais de trabalho, convocação de concursados em 2005, garantia de direitos conquistados (como difícil acesso, agilidade na implantação da mudança de nível, pagamento do resíduo da isonomia), recuperação do Centro de Pesquisa Aplicadas (Cepa), implementação das escolas de tempo integral e política de segurança. A paralisação se estendeu e tornou-se greve sem previsão de término. Nesse período o governador usou comunicados para reverter para os professores a responsabilidade para os prejuízos da greve, inclusive o não recebimento de recursos caso a paralisação continuasse. A juíza Ester Manso, da Vara da Fazenda Estadual, decretou a ilegalidade da greve dos professores e demais trabalhadores onde o sindicato da categoria estaria sujeito a multa de 20 mil reais por dia de descumprimento de sua decisão; além disso, a magistrada considerou legítimo o desconto dos dias parados nos salários dos grevistas, assim como a abertura de processo administrativo disciplinar por abandono de cargo, Depois de 49 dias de greve, professores e servidores da educação de Alagoas decidiram retornar às atividades mesmo sem acordo para reajuste salarial. O governo apenas se comprometeu com a lei que garantia a gratificação de difícil acesso;

  • A última greve aconteceu no primeiro semestre de 2011. Na ocasião os professores da rede estadual de Alagoas aceitaram um reajuste de 7% depois de mais de quinze dias sem atividades. Além da melhoria de salários, os professores pediam alinhamento da tabela dos funcionários das escolas, melhorias na estrutura da educação pública de Alagoas e a garantia de que não haveria corte nos salários referentes aos dias de greve, mas o governo do estado se negava a assinar um documento garantindo atender as reivindicações da categoria. O movimento foi apoiado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT).


O fato de muitos funcionários das escolas estaduais não serem concursados é péssimo para qualidade da educação ofertada, mas é conveniente para o governo do estado, pois funcionários contratados não têm direito a fazer reivindicações, enfraquecendo os movimentos grevistas; os salários pagos são menores e vários direitos trabalhistas não são obrigatórios. Existem escolas funcionando com quase 80% de professores-monitores, salas sem a menor estrutura para aulas, turmas sem aula de vários componentes curriculares e falta de equipamento e profissionais qualificados. Com isso, o estado ocupa a 27º posição do ranking de qualidade em educação do Brasil, última colocação, segundo o PISA (2009). De acordo com pesquisa do IBGE, 2008, a média de tempo de estudo dos alagoanos é de apenas 5,5 anos, analisando-se pessoas com 15 anos ou mais. Também lidera os índices de evasão, repetência e distorção idade/série. Por isso, tem, em todos os níveis de ensino, os piores índices educacionais do país.

Essas são mais que justificativas para a classe de profissionais da educação incitar mobilizações como protestos, paralisações e greves. E a sociedade precisa apoiar essas reações, unir-se a causa educacional de seus filhos e netos. A juventude precisa buscar informações, refletir, questionar, e demonstrar que o empenho de seus mestres em sala de aula, mesmo diante de tantas dificuldades, está fazendo efeito. Aos movimentos sindicais cabe usar de todos os meios legais possíveis para exigir o cumprimento de todas as reivindicações feitas e parar de usar a melhoria das condições de trabalho como muletas para conseguir apenas um mísero aumento de salário.


sábado, 28 de maio de 2011

Amanda Gurgel: Professora em Destaque

Após participação em audiência pública professora tornou-se popular em todo país. Confira alguns fatos sobre sua militância e uma entrevista dada ao jornal Tribuna do Norte.


A potiguar Amanda Gurgel de Melo, Professora de Língua Portuguesa de uma escola pública de Natal, fez um pronunciamento na Assembleia Legislativa durante uma audiência pública, no dia 10 de maio, sobre os problemas educacionais no estado. Após a grande repercução de seu discurso foi entrevistada por vários meios de comunicação, entre eles o Domingão do Faustão, na Rede Globo, onde reafirmou as palavras de seu primeiro discurso. Em suas declarações, Amanda esclarece que não está interessada em publicidade pessoal, mas em denunciar os problemas vividos por cada profissional envolvido com educação no Brasil, o que tem feito com muita humildade, firmeza e maturidade.


No dia 25 de maio os Deputados da Comissão de Educação e Cultura da Câmara aprovaram, por unanimidade, uma moção de saudação à Amanda Gugel de Melo proposta pela Deputada Fátima Bezerra (PT). Também foi elogiada pelo fato de defender uma campanha intitulada de "10% do PIB, já!", ativa desde o dia 17 de maio, que tem como objetivo tocar os Poderes Executivo e Legislativo para aprovação da aplicação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na educação, melhorando as condições de trabalho e estudo de professores e alunos do país inteiro. A proposta é uma antiga reivindicação dos educadores brasileiros e está em processo de discussão do Plano Nacional de Educação (PNE). Atualmente apenas 5% do PIB são dirigidos ao setor.


Confira a seguir uma entrevista dada por Amanda ao jornal Tribuna do Norte, do Rio Grande do Norte, dia 19 de maio.

Conte o início da sua história como professora.


Olha, eu preferia começar falando sobre outro assunto. Porque o mais importante na minha fala, que foi transformada em vídeo, e nessa repercussão toda que está tendo, é que isso reflete uma situação existente há muito tempo na nossa categoria. Quem é professor há 20 ou 30 anos conhece o processo de degeneração pelo qual as escolas vêm passando. Isso é o principal e não a minha imagem ou até mesmo as minhas palavras, mas a situação. Nós temos diversas discussões em nível nacional. Existe, por exemplo, o Plano Nacional de Educação, que está sendo discutido e são essas as questões principais. Eu não quero que as pessoas me vejam como aquela professora que falou e ficou famosa. Eu sou realmente uma professora que pega três ônibus todos os dias para ir ao trabalho e não acho isso bonito. Eu não acho isso interessante. Eu acho que essa é uma situação de opressão.



Depois da repercussão do vídeo, você aderiu ao twitter?

Não. Eu não participo de nenhuma rede social. Mas fiquei sabendo hoje que há uma conta com meu nome. Minha irmã viu e me avisou. Mas a conta não é minha. É um fake que está tanto no Twitter quanto no Facebook. Eu na verdade estou chocada com essa expansão tão rápida, que pode servir tanto para o bem quanto para o mal.

Como é o seu cotidiano como professora?

Eu trabalho em duas escolas. Se tivesse noção da repercussão que aquilo teria, eu teria falado sobre a saúde do trabalhador porque eu sou inclusive vítima disso. Eu adoeci e precisei mudar de função. Hoje estou afastada da sala de aula e desenvolvo atividades pedagógicas na biblioteca e no laboratório de informática. Eu adoeci em decorrência da minha atividade em sala de aula. O que eu tentei foi falar sobre a condição de todos os trabalhadores. Daquele professor que tem o carro, mas não pode usá-lo todo dia porque não tem dinheiro para a gasolina. Porque a realidade dos trabalhadores é essa. Eu por exemplo moro em Nova Parnamirim e trabalho em Nova Natal e preciso acordar às 05h para chegar no horário. A minha realidade é mais suave, porque eu não tenho filho e não preciso dividir o meu salário. Na verdade, eu fico olhando para os meus colegas, da Escola Municipal Prof. Amadeu Araújo e da Escola Estadual Miriam Coeli, e pensando o quanto eles são corajosos. Isso porque são muitas as frustrações pelas quais nós passamos, desde quando escolhemos o curso de graduação, com todas as ilusões dos bancos de universidade, até chegar à realidade.

Você é professora de que disciplina e há quanto tempo?

Sou professora desde 2002. Entrei a Universidade em 2001 e no ano seguinte comecei a lecionar no Cursinho do DCE. A minha experiência exitosa na educação começou e se encerrou ali. Foi a experiência positiva que marcou. Sou professora de língua portuguesa, o que traz uma frustração maior ainda. Terminei um curso de licenciatura preparada para fazer com que os alunos produzam resenhas, crônicas, etc. Mas me deparei com uma sala de aula onde o aluno não é capaz de ler uma palavra simples como bola. Isso é desolador. A forma que eu encontrei de canalizar essa frustração é lutando pela categoria.


Por que você se interessou pelo magistério?

Eu tive uma professora, chamada Claudina, de Espanhol, que era uma fonte de admiração. Eu queria ser como ela. Eu sempre acreditei na educação. Não era a melhor aluna da classe, mas era aplicada. Então, eu quis ser professora por acreditar que nessa profissão seria possível mudar vidas.

Voltando ao vídeo, você preparou o discurso com antecedência?

Não. Eu prestei atenção nas falas anteriores e cada absurdo que era falado eu procurava um contraponto. No final, saiu aquilo ali. E não há nada naquelas palavras que não se diga todos os dias nas escolas, que os meus colegas não estejam cansados de saber. A realidade é a mesma há muito tempo. Eu não entendo toda essa repercussão. Talvez o grande lance do vídeo é ter sido gravado ali, na Assembleia Legislativa e na presença da secretária estadual de Educação. Algumas pessoas teriam medo, mas eu nem pensei nisso. Eu não tenho motivo para ter medo de Betânia Ramalho e nem de deputado nenhum, porque eles não me deram emprego e não dependo deles para nada. São eles quem dependem da população.



Incomoda a repercussão que o vídeo teve?

Não chega a incomodar. Mas queria focar no discurso político, porque eu não tenho o menor interesse de focar na minha imagem. É uma surpresa para mim, já que essa é a nossa realidade e não é nada novo.


Você prefere não ser vista como um símbolo dessa luta por melhoria?

Nem símbolo de uma luta. Eu sou apenas mais uma peça. Assim como eu, há outros, milhares de trabalhadores. Eu não sou símbolo de nada e nem pretendo ser.


Você viu quem citou o seu vídeo na internet nos últimos dias?

Fico sabendo quando alguém me liga e fala. Soube que o Gilberto Gil e a Zélia Duncan citaram.


O Marcelo Tas postou o vídeo no blog dele também.

É. Isso entre as celebridades. Contudo, o importante é porque muitas pessoas vão poder ver e não o fato de serem celebridades em si.



quinta-feira, 26 de maio de 2011

XII Feira de Livros

Escola Conceição Lyra realiza a XII Feira de Livros: Exposição Literária Alagoana, com o tema Os Artistas Miguelenses.


O evento, que se estende por três dias (25, 26 e 27), tem como um de seus objetivos homenagear os artistas naturais de São Miguel dos Campos. O volume de personalidades e obras aparenta ser insuficiente para um trabalho dessa natureza, caso vejamos a cultura do município com a visão de um cidadão simples, porém, essa concepção exalta a primeira grande conquista do trabalho: expor aos jovens miguelenses a riqueza artística e cultural a que dispomos e precisam conhecer. Sobre essa necessidade a professora Lurdinha Nascimento foi bastante precisa quando afirmou, em outras palavras, que apesar da violência e tantos outros fatores que atingem negativamente a imagem de nossa cidade, precisamos observá-la noutros contextos, visto que um povo só adquire progresso quando conhece a si próprio, sua gente, seus fatos, seu potencial. Acrescentou ainda que é um trabalho cujos resultados serão colhidos futuramente, quando filhos e netos forem capazes de descrever as qualidades culturais de sua terra.

A feira conta com exposição de maquetes e cartazes onde foram expostas informações sobre o município; estandes com venda de obras literárias de vários nomes da literatura brasileira, em especial os homenageados na exposição; e com várias apresentações teatrais, encenados pelos alunos da escola. Destacaremos aqui algumas das apresentações: Festival de Duplas Miguelenses, Fernando e Isaura, e Feira da Ponte. Na primeira, a turma de 6º ano declamou versos dos artistas tema da exposição, entre eles Manoel Clarindo e Vicente Minervino, que escrevem literatura de cordel. Em Fernando e Isaura, apresentada pelos estudantes de 9º ano da escola, foi encenada uma obra de mesmo nome do escritor Ariano Suassuna, único escritor estudado no evento, que não é natural de São Miguel dos Campos, mas paraibano. Entretanto, conforme frisou Betânia Leite, diretora da instituição, o romance é ambientado em Alagoas, tendo a cidade de São Miguel dos Campos como cenário do primeiro encontro do casal protagonista da história.












A apresentação intitulada Feira de Ponte teve como atores os alunos de 8º ano orientados pela Professora Jeane. Inicialmente tratando de fatos históricos da cidade (como a escolha de seu nome e a própria Feira de Ponte) e em seguida representando a situação cruel de criminalidade em que vive mergulhada, revelou-se um dos pontos altos dessa exposição. Assaltos, dependência química, violência doméstica e as mazelas do estereótipo político da região foram inseridos num enredo criativo onde lugares e habitantes eram descritos com grande autenticidade, bom humor e responsabilidade. Enfim, não restou pedra sobre pedra na apresentação feita pelo 8º ano, que esmiuçou toda a história de São Miguel dos Campos através da atuação, dança e grande talento de seus alunos.







O fato de muitos da juventude miguelense vivenciarem o processo educativo e não conhecerem sua história e a importância dos aspectos sociais, políticos e econômicos da cidade apenas demonstram o quão frágil é a qualidade da instrução intelectual que recebem, desconhecendo suas origens e o desenvolvimento de sua história. Com isso, a Escola Conceição Lyra apresentou uma excelente visão pedagógica, intensificando a tarefa primordial de uma escola em instruir e construir um cidadão completo, ciente das características da comunidade onde vive e com capacidade para refletir e intervir nas ações de seu cotidiano. Portanto, devido ao excelente trabalho desenvolvido, prestado ao povo miguelense, são dignos de congratulações.